Picada de cobra: veja o que fazer e quais erros podem agravar o acidente
Secretaria da Saúde alerta contra práticas como sugar o veneno, fazer torniquete ou cortar o local da picada; São Paulo registrou 1.415 acidentes com serpentes em 2026
Em caso de picada de cobra, algumas práticas populares podem agravar o quadro e até aumentar o risco de complicações. Sugar o veneno, fazer torniquete, cortar ou perfurar o local atingido e aplicar produtos caseiros estão entre os principais erros que devem ser evitados.
A orientação do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) é procurar atendimento médico o mais rápido possível para avaliação e, quando indicado, aplicação do soro antiveneno adequado.
A rapidez no atendimento é fundamental para reduzir o risco de complicações graves.
O que fazer após uma picada de cobra
Enquanto a pessoa é encaminhada para atendimento médico, algumas medidas podem ser tomadas para evitar o agravamento da situação.
A recomendação é lavar o local da picada somente com água e sabão. Também é importante retirar objetos que possam apertar a região, como anéis, pulseiras, tornozeleiras e calçados, já que o local pode apresentar inchaço.
A vítima deve permanecer em repouso e evitar esforços físicos.
Se houver segurança para isso, também é possível fotografar a serpente para ajudar na identificação. No entanto, a orientação é não tentar capturar, tocar ou se aproximar do animal.
O que não fazer
Entre as principais recomendações estão:
- Não fazer torniquete ou garrote;
- Não cortar ou perfurar o local da picada;
- Não tentar sugar o veneno;
- Não aplicar álcool, medicamentos caseiros, folhas, pó de café ou qualquer outra substância sobre o ferimento;
- Não tentar capturar a serpente.
Essas medidas podem provocar lesões adicionais, favorecer infecções ou prejudicar a circulação sanguínea.
São Paulo já registrou mais de 1,4 mil acidentes em 2026
Dados do Núcleo de Informação Estratégica em Saúde (Nies) da SES-SP apontam que o estado registrou 1.415 acidentes envolvendo serpentes e cinco mortes em 2026.
Do total de ocorrências, 34,2% foram classificados como acidentes botrópicos, provocados por serpentes dos gêneros Bothrops e Bothrocophias.
Entre as espécies estão animais conhecidos como jararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, comboia e cruzeira.
Essas serpentes podem ser encontradas em diferentes ambientes, incluindo margens de rios, áreas agrícolas, regiões litorâneas e locais de transição entre áreas rurais e urbanas.
Dor, inchaço e sangramento são sinais de alerta
Nos acidentes provocados por serpentes botrópicas, alguns dos principais sintomas são dor e inchaço no local da picada, além de manchas arroxeadas e sangramentos.
O sangramento pode ocorrer no próprio local da picada, nas gengivas, na pele e também aparecer na urina.
Por isso, mesmo quando os sintomas parecem inicialmente leves, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Onde encontrar o soro antiveneno
A Secretaria de Estado da Saúde disponibiliza uma plataforma que permite localizar os Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESA) e outros serviços de atendimento soroterápico.
A ferramenta permite consultar as unidades disponíveis e localizar o serviço mais adequado para o atendimento.
Consultar pontos de atendimento com soro antiveneno em São Paulo
Também é possível consultar os dados e a série histórica dos acidentes envolvendo animais peçonhentos no estado.
Acessar dados sobre acidentes por animais peçonhentos
Em caso de picada, procure atendimento imediatamente
A principal orientação diante de uma picada de serpente é não perder tempo com tratamentos caseiros. A vítima deve ser mantida em repouso e encaminhada o mais rapidamente possível a um serviço de saúde.
A identificação da serpente pode ajudar os profissionais a definir o tratamento, mas a pessoa não deve se colocar em risco para fotografar ou capturar o animal.

