Agente comunitária acompanha parto em situação emergencial em domicílio e evidencia papel da atenção básica
Uma visita de rotina ao bairro Cantagalo terminou em parto na tarde na última quinta-feira (19). A agente comunitária de saúde Maria Aparecida Monteiro de Freitas, conhecida como Cida, acompanhou um parto normal em domicílio, numa situação emergencial, até a chegada da equipe de urgência.
Cida atua há 14 anos como Agente Comunitária de Saúde (ACS). Segundo relato da profissional, Cida percebeu uma movimentação na rua e foi chamada pelas filhas da gestante, que informaram que a mãe estava passando mal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o Corpo de Bombeiros já haviam sido acionados, mas ainda não haviam chegado ao local.
“Foi inesperado. Neste dia, eu estava cumprindo meu serviço em outra residência quando fui chamada pelos familiares, que estavam muito nervosos. Em 14 anos foi a primeira vez que me vi nesta situação, mas eu sabia que não tinha para onde correr e eu faria o que fosse preciso naquele momento”, relatou.
De acordo com a agente comunitária de saúde, o parto ocorreu sem intercorrências. A equipe do SAMU chegou pouco depois e encaminhou a mãe e o recém-nascido ao hospital para avaliação.
“Deu um frio na barriga, mas foi uma experiência muito boa, muito gratificante, e que graças a Deus correu tudo bem”, disse.
Função além da rotina
O bairro Cantagalo é uma área de acesso mais restrito dentro do município. Em regiões com limitações de mobilidade e infraestrutura, o tempo de resposta dos serviços de urgência pode variar, o que amplia a importância da presença de profissionais da atenção básica no território.
O agente comunitário de saúde integra a Estratégia Saúde da Família e atua na realização de visitas domiciliares, no acompanhamento de gestantes, crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas, além de desenvolver ações de prevenção e orientação. Também é responsável por atualizar cadastros e identificar situações que demandem encaminhamento à unidade de saúde.
Oficialmente, o ACS não possui atribuição técnica para condução de parto, conforme a Política Nacional de Atenção Básica (Portaria GM/MS nº 2.436/2017), porém o caso ilustra a posição da agente como primeiro ponto de contato entre o sistema público e a população, especialmente em bairros periféricos.
A atenção primária reduz a sobrecarga de atendimentos de urgência ao atuar na prevenção e no acompanhamento contínuo. Municípios com cobertura ampliada da Estratégia Saúde da Família apresentam melhores indicadores de pré-natal e vacinação.

