Grupo xiita lança mísseis e drones após mais de um ano, e Israel responde com ofensiva aérea em Beirute e no sul do Líbano
O grupo terrorista Hezbollah voltou a lançar ataques com mísseis e drones contra Israel nesta segunda-feira (2), marcando a primeira ofensiva significativa desde o cessar-fogo costurado em novembro de 2024. Em resposta, as Forças de Defesa de Israel realizaram bombardeios em diversas partes do Líbano, incluindo áreas urbanas e subúrbios de Beirute, ampliando as hostilidades na fronteira entre os dois países e provocando uma grave crise humanitária e política no Líbano.
Escalada de hostilidades e impacto humanitário
O ataque do Hezbollah — direcionado a um sistema de defesa antimísseis ao sul de Haifa — foi justificado pelo grupo como retaliação ao que chamou de agressão contínua de Israel e dos Estados Unidos, além da morte do aiatolá Ali Khamenei.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva aérea ampla, atingindo posições do Hezbollah, depósitos de armas e infraestrutura militar em Beirute e no sul do Líbano. O Ministério da Saúde do Líbano relatou pelo menos 31 mortos e 149 feridos nesses ataques, muitos deles civis, tornando esse um dos dias mais violentos desde o início da escalada no início de 2026. Civis estão fugindo em massa, com famílias tomando refúgio em escolas e outros abrigos improvisados.
As forças israelenses também ordenaram evacuacões em dezenas de localidades do sul e leste do Líbano, em antecipação a possíveis fases de combate prolongado.
Governo libanês reage e amplia condenação
A atual crise expôs tensões políticas internas no Líbano. O presidente Joseph Aoun reafirmou posição de condenar tanto os ataques israelenses quanto os disparos do Hezbollah, destacando o risco de envolver o país em um conflito externo.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condenou explicitamente a ação do grupo como “irresponsável” e fora da autoridade do Estado, afirmando que o governo não permitirá que o Líbano seja arrastado para outra guerra e que apenas o Estado tem legitimidade para tomar decisões de guerra e paz.
Em meio à condenação, o governo emitiu um decreto proibindo todas as ações militares do Hezbollah e exigindo seu desarmamento, numa rara e clara dissociação do grupo por parte das autoridades oficiais.
Contexto histórico do conflito
A escalada atual está diretamente conectada à guerra mais ampla envolvendo Israel, Irã e seus aliados e ocorre no contexto da guerra na Faixa de Gaza. Ainda assim, o confronto entre Israel e Hezbollah tem raízes profundas que remontam às décadas de 1970 e 1980, quando o grupo surgiu como resistência à presença militar israelense no Líbano.
O cessar-fogo de novembro de 2024 havia reduzido temporariamente as hostilidades, mas incursões israelenses e ataques aéreos no território libanês continuaram, mantendo o clima de tensão que agora explodiu em uma nova fase de combate direto.
Implicações regionais
Analistas destacam que a retomada das hostilidades pode ampliar o conflito no Oriente Médio, envolvendo não apenas Israel e Hezbollah, mas também o Irã e aliados regionais. Isso ocorre em um momento em que as grandes potências têm interesse em não permitir uma guerra mais ampla, ao mesmo tempo em que enviam sinais contraditórios sobre apoio e contenção.
Situação atual
- Pelo menos 31 mortos e 149 feridos no Líbano após ataques israelenses contra posições do Hezbollah.
- Israel afirma que lançamentos de foguetes pelo Hezbollah caíram em áreas abertas, sem causar danos significativos no próprio território controlado por Tel Aviv.
- Deslocamento de civis em massa, com evacuação de zonas em risco no sul e no Vale do Bekaa.
- Governo libanês condena ações não estatais e busca reafirmar a autoridade do Estado sobre decisões de guerra.
Foto: REUTERS/Gideon Markowicz
