Crime ocorrido em área nobre de São José dos Campos é investigado pela Polícia Civil; família nega legítima defesa alegada pelo autor do disparo fatal que vitimou Wagner
A Polícia Civil investiga o assassinato do contador Wagner Eduardo Fernandes Prado, de 43 anos, morador de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. Ele foi morto a tiros na manhã de segunda-feira (26) dentro do apartamento da namorada, localizado no Parque Residencial Aquarius, bairro de alto padrão de São José dos Campos.
O autor confesso do disparo, Z. P. G., de 67 anos, preso em flagrante, é policial civil aposentado e ex-marido da namorada da vítima. O ex-policial afirma ter agido em legítima defesa — versão frontalmente contestada pelos familiares da vítima, que apontam inconsistências graves na dinâmica e nos depoimentos apresentados.
Família nega legítima defesa do autor e exige apuração rigososa da justiça
Parentes de Wagner afirmam que ele estava desarmado no momento do crime. Uma familiar relatou que a família enfrenta profunda dor e indignação. A vítima deixou um filho de 9 anos diagnosticado com transtorno do espectro autista. Os familiares também cobram rigor nas investigações e afirmam confiar que a perícia técnica irá esclarecer o que realmente aconteceu dentro do apartamento. “Nossa família pede justiça. Ele estava desarmado”, declarou a parente.
Quem era a vítima
De acordo com amigos e parentes, Wagner Eduardo Fernandes Prado era contador há mais de 20 anos na cidade de São Sebastião, onde morava há mais de quatro décadas. Era descrito como discreto, trabalhador e extremamente dedicado aos filhos e à família. O atual relacionamento havia começado cerca de 15 dias antes do crime. A morte causou forte comoção na cidade do Litoral Norte, onde Wagner era bastante conhecido.
Dinâmica do crime levanta questionamentos
A Polícia Militar foi acionada via Copom na manhã de segunda-feira para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo dentro do condomínio.
Com autorização da síndica, os policiais entraram no prédio. O próprio autor do disparo abriu a porta do apartamento na chegada dos policiais, foi desarmado e permaneceu no local.
Dentro de um dos quartos, Wagner foi encontrado já sem vida, atingido por um tiro no peito. A arma utilizada no crime foi uma pistola calibre .40 de uso restrito, que foi apreendida, assim como celulares e outros objetos que serão submetidos à perícia criminal.
A presença de uma arma restrita, a alegação de luta corporal e o horário dos fatos são pontos considerados centrais na apuração.
Relatos contraditórios intensificam suspeitas
Em depoimento, a namorada de Wagner, ex-esposa do policial aposentado, afirmou que estava em processo de separação e mantinha relacionamento com Wagner havia cerca de duas semanas.
Segundo ela, vinha recebendo ligações insistentes do ex-marido e que, na manhã do crime, ele teria sido informado de que não estava sozinha em casa.
Ela relatou que Z. P. G. entrou armado no quarto onde o casal dormia, houve discussão e, em seguida, o disparo fatal. A mulher também afirmou que já havia sido ameaçada anteriormente.
Informações preliminares, ainda não formalizadas no boletim de ocorrência, indicam que, após o disparo, o ex-policial teria ameaçado a ex-esposa e apontado a arma contra ela, sendo contido pelo filho — episódio que, se confirmado, poderá agravar a situação penal do suspeito.
O filho do casal, que estava no apartamento, confirmou que houve discussão, mas declarou que Wagner teria avançado contra o pai — versão duramente contestada pela família da vítima. Já o ex-policial alegou desconhecer o relacionamento, disse que houve luta corporal e sustentou que o tiro teria sido acidental, afirmando temer ser desarmado pela vítima. As contradições entre os relatos são consideradas cruciais para o inquérito policial.
A Polícia Civil analisa a dinâmica do crime, eventuais ameaças anteriores, os depoimentos colhidos e a alegação de legítima defesa.
Ex-policial segue preso
A Justiça determinou a prisão preventiva do autor do disparo, detido em flagrante após a morte do companheiro de sua ex-esposa, a audiência de custódia de Z. P. G., foi realizada na manhã desta terça-feira (27), quando o Judiciário decidiu converter a prisão em flagrante em preventiva.
Após a decisão, o ex-policial foi transferido para o presídio da Polícia Civil, na capital paulista, onde permanecerá custodiado enquanto as investigações prosseguem e o processo segue em tramitação judicial.
Despedida
O velório da vítima, Wagner Eduardo Fernandes Prado, foi realizado na Funerária Campo Vale – Praia Deserta, em São Sebastião, nesta quarta-feira (28). A cerimônia teve início às 7h30 e terminou às 10h30, quando o corpo seguiu para sepultamento no Cemitério Municipal.
